05/06/2007 - Há mais mistérios entre o céu e o terrão...
Revelado no Parque São Jorge, no chamado "Terrão", o volante Wendel está finalmente "encostado" no Corinthians. Carpegiani não quer mais trabalhar com o volante citado, assim como já descartou de seus planos Roger, Tamandaré, Daniel, Jean Carlos, Allison, Rafael Fefo e outros.
A saída de Roger é explicada pela falta de motivação do atleta. Outros jogadores, ainda jovens, podem ser emprestados e voltar no futuro, mais maduros. Há ainda aqueles como Jean Carlos e Tamandaré, que mesmo estando há pouco tempo no elenco, não foram aprovados pelo técnico em suas poucas apresentações.
Mas e o volante Wendel, como explicar seu afastamento? Será que só agora, quatro anos após sua estréia no time profissional, ele deixou de jogar bola? Só após 120 jogos e três míseros gols marcados (tudo bem, tem mais do que o Betão, que até hoje só fez um), descobriram que ele não tem a menor condição de ser jogador do Corinthians?
Antes que alguém rebata, dizendo que a função dele e do Betão não é de fazer gols, eu pergunto: e qual seria a função deles? Desarmar, marcar e proteger a área corintiana? Sim, é claro. Mas como eles não tem a menor perícia para nenhuma destas atribuições, imaginei que talvez no ataque eles tivessem alguma competência. Mas como os números mostram, também não é o caso.
Incluí Betão na história pois o falante zagueiro (ah se jogasse tão bem como dá entrevistas...) é também um dos atletas "divinos" do clube. Sim, pois veio do abençoado "terrão". Imprensa e torcedores falam deste terrão como se fosse algum templo religioso ou espaço mitológico. Ai de quem falar mal das "pratas da casa"? É verdade que grandes craques ou atletas marcantes como Luizinho (o pequeno Polegar), Roberto Belangero, Idário, Rivelino, Wladimir, Casagrande, Ronaldo, Viola, Dinei, Silvinho, Kléber, Edu e Gil foram criados ali. Mas nos últimos três ou quatro anos, não houve um único exemplo de jogador competente lá surgido. Nenhum que realmente ajudasse o Corinthians em campo.
Além de Betão e Wendel, a Fiel Torcida viu brotar na tal terra abençoada figuras como Marcos Vinicius, Marquinhos, Fininho, Edson, Jô, Bobô, Wilson, Abuda, Rosinei, Ratinho, Carlão, Marcelo, Rafael Akai, Elton e Bruno Octávio. Agora, aposta em William e Lulinha. O primeiro, apesar da técnica comprovada, tem recebido confetes antes da hora. Nitidamente ainda precisa amadurecer, mas já há colegas jornalistas dizendo que nasceu um novo ídolo. O segundo, ainda é muito jovem e não pode ser cobrado. Seria como tirar uma maçã com o tamanho de um morango do pé. Não adianta acelerar o processo.
Mas voltando aos atuais "renegados", enquanto Tamandaré, Fefo, Jean Carlos e outros já despertaram interesse de outros clubes, o volante Wendel ainda não foi procurado. Será que algum clube ainda vai querê-lo? Evidentemente que não torço contra o garoto, que aliás aparenta ser bastante atencioso e trabalhador. Mas seu exemplo não pode passar em branco na história recente do clube.
Como pode um jogador tão limitado durar tanto tempo num time como o Corinthians? Há algo muito estranho por trás da permanência de Wendel e outros atletas medíocres vindos da base no elenco profissional do clube. Aliás, parodiando William Shakespeare, xará do novo "prata da casa" corintiano, "há mais mistérios entre o céu e o 'terrão' do que imagina nossa vã filosofia". Eu iria mais longe, citando outro trecho de "Hamlet": "há algo de podre no reino do Parque São Jorge". Não dá pra pensar diferente.
O jornalista Thomaz Rafael apresenta o programa Galera Gol, na Rádio Transamérica, de segunda à sexta, às 19h. Também é colunista do TimãoNet. E-mail para esta coluna thomaz@espetaculo.com.br. O site TimãoNet não se responsabiliza pelo conteúdo desta coluna.