17/01/2007 - A Fiel contra a ditadura
Lamentar a falta de respeito dos dirigentes corintianos com a Fiel Torcida é chover no molhado. No entanto, como jornalista, sinto-me na obrigação de continuar criticando tanta incompetência. E como corintiano, deixando o jornalismo de lado no resto deste parágrafo, sinto vontade de reunir a massa alvi negra e invadir a sala do presidente Alberto Dualib. Sim, seria uma alternativa. Tomar o Parque São Jorge e despossar o déspota caduco, como numa revolução. Mas uma revolução pacífica, como pregava o líder político e espiritual da Índia, Mahatma Gandhi.
Pensando melhor e tentanto raciocinar com menos paixão, até que minha insatisfação de torcedor não destoa tanto de minha visão jornalística da situação. Até porque, tanto como cronista, quanto como torcedor, considero que grandes clubes como Corinthians, São Paulo, Flamengo, Cruzeiro e cia não pertencem a dirigente algum. São mantidos pela paixão de seus torcedores, que compram ingressos, camisas e dão audiência às emissoras de tevê, além de comprarem os produtos dos patrocinadores das camisas.
Desta forma, Alberto Dualib, seus parentes comissionáveis, seus conselheiros vitalícios semi-centenários e dirigentes trapalhões não são donos do Timão. Podem até estar responsáveis pela sede social, pelos campos de bocha e tobogãs do Parque, mas o time de futebol definitivamente não pode virar patrimônio dos mesmos. Não é justo rasgar e pisar no estatuto do clube seguidas vezes e manter-se no comando sem novas eleições, como se o Corinthians fosse Cuba, Coréia do Norte ou qualquer outra nação medíocre que vive na contra-mão da história.
A partir do momento em que um governante ou dirigente resolve se perpetuar no poder, qualquer tentativa de destituí-lo, desde que pacífica, torna-se legítima. Mesmo que as últimas gestões do presidente Dualib tivessem sido transparentes, benéficas ao clube financeiramente e vitoriosas, ainda assim ele não teria o direito de usar artimanhas jurídicas para vetar eleições.
Porém, pelo contrário, além de ditador, o presidente administrou o clube de forma obscura, desorganizada e incompetente. Não soube, a longo prazo, tirar proveito de três parcerias milionárias. Pelo contrário, as mesmas acabaram virando casos judiciais e, até mesmo policiais, como no caso da mais recente.
Dentro de campo, mais uma vez o time iniciará a temporada sem planejamento, com problemas no elenco, jogadores abandonando o barco e indefinições no âmbito jurídico. Enfim, a bagunça de sempre. A Fiel não aguenta mais esta corja.
E no meio de tanta confusão, pelo menos surge uma nova razão para o torcedor sentir orgulho. O sonho da construção de um estádio grande e moderno foi colocado no papel por um grupo de torcedores, no projeto Cooperfiel. Mesmo que ainda seja um sonho distante, a idéia e os planos destes fiéis torcedores (muito bem explicados no site www.fielzao.com.br) mostram que mais uma vez, em momentos de grandes dificuldades, o corintiano aumenta sua dedicação e amor ao time do coração. Apesar dos parasitas que estão no comando.
O jornalista Thomaz Rafael apresenta o programa Galera Gol, na Rádio Transamérica, de segunda à sexta, às 19h. Também é colunista do TimãoNet. E-mail para esta coluna thomaz@espetaculo.com.br. O site TimãoNet não se responsabiliza pelo conteúdo desta coluna.