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Colunas - Thomaz Rafael

28/08/2008 - Inesquecível 2 de dezembro

O dia 2 de dezembro de 2007 quase foi um dos mais tristes de minha vida. Era um domingo de sol, e de folga, mas minha manhã não teve lá muitos atrativos. Acordei tarde e ainda demorei a criar coragem pra sair da cama. Quanto mais tempo ficasse em meu quarto, menos tempo teria pra ler jornal e assistir à tevê. Ficar longe dos meios de comunicação era minha principal meta naquele final de semana.

Meu time do coração era mais uma vez o centro das atenções. Até jornalistas estrangeiros estavam no Brasil para acompanhá-lo. Na sexta-feira anterior, até um simples treino da equipe chegou a ser transmitido ao vivo pela TV. O mundo estava de olho no Timão. Mas não por uma boa causa. O glorioso Sport Club Corinthians Paulista estava prester a viver o seu mais triste momento em 97 anos de história.

Almocei mal, como em quase todos os domingos de jogos decisivos. Quando fico nervoso, o apetite simplesmente desaparece. Apreensivo e de estômago vazio, resolvi sair de casa minutos antes da partida. Com a compreensão de minha santa mulher (não é fácil ser casada com um corintiano fanático), simplesmente desapareci. Desliguei o celular, peguei o carro e comecei a dirigir sem rumo. Confesso, não tive coragem de assistir ao jogo. Abandonei meu time naquela tarde. Pensando bem, talvez o meu time é que tivesse me abandonado.

Pouparei o simpático leitor dos ridículos detalhes ocorridos nos minutos seguintes deste melancólico passeio dominical. Pra resumir a história, não aguentei ficar muito tempo longe do jogo e descobri uma tevê num restaurante vazio. Sozinho, calado e envergonhado, assisti ali aos últimos instantes de meu time na Série A. "Que domingo pra ser esquecido", pensei.

Só que a vida, assim como o futebol, adora nos surpreender. As emoções daquele inesquecível 2 de dezembro de 2007 ainda não haviam acabado. Não para mim. Duas horas após o rebaixamento do Timão, eu e minha mulher resolvemos comprar um teste de gravidez na farmácia. Uma bobagem, chegamos a pensar, já que estávamos tentando a gravidez há apenas algumas semanas. Só que o teste deu positivo. Para não termos dúvida, fomos a um hospital e um exame confirmou a notícia. O choro da tristeza de horas atrás dava lugar a lágrimas da mais pura alegria. Ganharíamos um filho. Um novo corintianinho já estava no útero de minha amada.

Aquele que seria um dos dias mais tristes de minha vida se tornou o segundo mais feliz. Só perdeu para o recente 9 de agosto de 2008. Data de nascimento do Felipe. Garotinho lindo de 51,5 cm e 3,5 kg que rapidamente fez o Timão se tornar menos importante em minha vida. Mas que chegou ao mundo a tempo de ver o retorno deste mesmo Timão à série A. Que Deus e São Jorge o abençoem, filho querido! Este texto é pra você. Do seu pai corintiano, que lhe ama tanto.

O jornalista Thomaz Rafael apresenta o programa Galera Gol, na Rádio Transamérica, de segunda à sexta, às 19h. Também é colunista do TimãoNet. E-mail para esta coluna thomaz@espetaculo.com.br. O site TimãoNet não se responsabiliza pelo conteúdo desta coluna.

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