21/08/2008 - Alvinegros em caminhos inversos
Apesar de alguns tropeços e muita irregularidade, podemos dizer que o Corinthians fez um ótimo trabalho no primeiro turno da Série B. Mais importante do que terminar a primeira metade da competição na liderança, foi conseguir manter uma vantagem bem razoável para o quinto colocado. Estar entre os quatro primeiros é obrigação, enquanto que conquistar o título é apenas um detalhe.
Muitos torcedores fanáticos e jornalistas não pensam dessa maneira. Para eles, vencer a Série B é o mínimo para diminuir um pouco o vexame do rebaixamento. Porém, creio que o vexame estará sempre na memória do corintiano. Só que no momento em que o Timão retornar à elite, ganhado ou não a Série B, esta decepção fará parte do passado. O importante é estar novamente entre os grandes.
Um detalhe que pode ajudar a equipe na segunda metade da competição é o fato de pegar a maioria dos adversários mais fortes dentro de casa. Curiosamente, dos dez rivais mais próximos na tabela (até a última rodada do primeiro turno), sete deles enfrentaram o Timão dentro de casa. E assim, terão de jogar na casa do líder no segundo turno. São eles: Avaí, Vila Nova, Santo André, Ponte Preta, Barueri, Ceará e Bragantino. Já Juventude, Bahia e São Caetano, equipes que completam a lista dianteira da tabela, pegarão o Corinthians em casa.
Na teoria, uma bela vantagem. Porém, o Timão terá de mostrar fora de casa a mesma força dos primeiros jogos na competição. Depois de bater Gama, ABC e Barueri, o time colecionou quatro empates como visitante. E finalizou sua campanha nos campos rivais ganhando do Paraná, perdendo do Vila Nova e empatando com o Avaí. Como talvez faça menos pontos em casa (no primeiro turno, teve um excelente aproveitamento de cerca de 82%), seria interessante ao menos igualar o bom aproveitamento de quase 57% longe da capital.
Por falar em aproveitamento, é bom que outro gigante paulista melhore, e muito, seu desempenho na Série A. Do contrário, o Santos fará o caminho inverso do Coringão. Uma das equipes mais eficientes e regulares desde que a fórmula dos pontos corridos foi adotada no Brasileirão, o Peixe faz sua pior campanha na competição em muitos anos. E são muitas as razões para o atual fracasso: planejamento ruim, a saída precoce de Leão (embora o mesmo não tenha feito um bom trabalho), uma zaga horrorosa, muitos jogadores de má vontade com o ex-técnico Cuca, a contusão de Fábio Costa (era o único que estava jogando realmente bem), a má fase de Kléber Pereira nas primeiras rodadas, o doping de Rodrigo Souto e até mesmo falta de sorte. A derrota de virada para o Atlético Mineiro, por exemplo, foi aquele típico tropeço que só acontece com times em péssima fase. A contusão de Maikon Leite e o gol sofrido para o Ipatinga no finalzinho do jogo também ilustram o momento pouco inspirado do clube.
Ainda há tempo para recuperação. Vale lembrar que o aproveitamento de quem briga contra o rebaixamento não precisa ser espetacular para evitar a tragédia. Basta ganhar alguns jogos em casa e conseguir um ou outro empate fora. Os concorrentes diretos na ingrata luta para não cair somam poucos pontos. Não basta um time grande ser muito ruim para cair. Tem de também estar passando por uma fase conturbada fora de campo. Como aconteceu recentemente com Corinthians e Palmeiras. O Santos é fraco e sua diretoria está pressionada. Mas ainda aposto em sua permanência na elite.
O jornalista Thomaz Rafael apresenta o programa Galera Gol, na Rádio Transamérica, de segunda à sexta, às 19h. Também é colunista do TimãoNet. E-mail para esta coluna thomaz@espetaculo.com.br. O site TimãoNet não se responsabiliza pelo conteúdo desta coluna.